Home / CULTURA / Alexandre Cunha de Azevedo / O poder que usurpa, mata e tripudia

O poder que usurpa, mata e tripudia

Não basta matar. Se possível, chute o cadáver, cuspa nele. Pise-o, se for o caso. Se não for suficiente para aplacar a sua vontade indisfarçável de tripudiar, vá ao velório, ria do morto apontando para aquela cara arroxeada e inexpressiva, típica dos cadáveres. Se tiver achando pouco, vá ao enterro, jogue a primeira pá de terra sobre o caixão e, após a última pá, jogada por algum parente ou amigo, pisoteie a cova para socar e endurecer a terra, evitando o impossível: o defunto escapar. Não. Não é nenhuma manifestação de sadismo da minha parte. Também não estou a ameaçar quem quer que seja, muito menos dando conselhos macabros a ninguém. Mas, ao observar o comportamento (e as palavras) daqueles que nos governa, é assim que pensam quem deveria nos representar. O deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da proposta do governo para a reforma da previdência, falou na semana passada, para uma plateia de sindicalistas da CSB (Central dos Sindicalistas Brasileiros) que aposentadoria é “subsistência” e que quem quiser ter uma “vida melhor” depois de aposentado, faça outro tipo de poupança. O grande problema é que, pela proposta apresentada pelo governo e que o deputado acima citado defende, não haverá tempo para o trabalhador subsistir. Serão necessários 49 anos de contribuição para ter uma aposentaria integral. Vira cadáver antes! Isso tudo com a justificativa de que a Previdência terá um rombo de R$ 180 bilhões somente esse ano. O deputado e o governo ignoram (ou não querem ver) que a inadimplência com o INSS chega a R$ 426 bilhões. Isso mesmo!!! Quase meio trilhão de reais!!!! E quem deve? O trabalhador? Não! Empresas como a do próprio deputado Arthur Maia, a Lapa Distribuidora de Combustíveis, que deve ao INSS R$ 151,9 mil. Isso mesmo! O sujeito que quer acabar com o rombo da Previdência às nossas custas é devedor da própria Previdência. E ele não está só! Entre as cem maiores devedoras do INSS está a empresa do senador Acyr Gurgacz (PDT-RO), a Eucatur, que deve R$ 480 milhões. Detalhe: o senador defende a reforma da Previdência. É uma oportunidade que ele tem de passar a dívida para os futuros cadáveres que hoje se esfalfam de trabalhar para sustentar seus calotes. Em tempo, o deputado “filósofo” Arthur Maia, que é proprietário rural e advogado, responde no STF por peculato e lavagem de dinheiro. Inaugura-se a máxima: eu te devo, mas é você que me paga! No dia seguinte ao discurso do deputado Arthur Oliveira Maia, foi a vez do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fazer uso da verborragia demencial ao afirmar que a Justiça do Trabalho “não deveria nem existir”. Segundo ele, as decisões “irresponsáveis” de juízes do trabalho quebraram o “sistema de bar, hotel e restaurantes do Rio de Janeiro”. O “gordinho mimado” precisa ser informado que TODO o Rio de Janeiro está quebrado e que Sérgio Cabral, Pezão, Eduardo Cunha, o próprio Rodrigo Maia, entre outros não são juízes do trabalho. Colocam um nariz de palhaço no cadáver e ainda querem que achemos graça da brincadeira.

Imprimir

About Jefferson Rian

Check Also

Há algo de podre no reino da Dinamarca

Há algo de podre no reino da Dinamarca. Hamlet talvez jurasse que o mau cheiro …