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Senado 2026: Porto Velho precisa conhecer sua força e cobrar compromisso com o futuro

Sílvia Cristina, Mariana Carvalho, Acir Gurgacz, Fernando Máximo e Luís Fernando chegam à disputa por caminhos diferentes. Todos apresentam credenciais, mas também pontos que precisam ser esclarecidos. O Porto Velho Meu Dengo não escolherá candidato: escolherá defender Porto Velho e cobrará de quem pretende ser senador compromisso com o planejamento da capital até 2050.

by Jefferson Ryan

Rondônia elegerá dois senadores em 2026. Não é uma eleição qualquer. Cada um dos escolhidos receberá um mandato de oito anos, atravessará dois governos estaduais, dois mandatos presidenciais e participará de decisões que alcançarão muito além das fronteiras de Rondônia. Por isso, não deveríamos escolher senador pela fotografia, pelo santinho, pela amizade, pelo partido ou pelo cabo eleitoral. Precisamos saber quem são. O que já fizeram. Quais resultados entregaram. Quais problemas carregam.
E, principalmente para nós:
o que pretendem fazer por Porto Velho?
A pergunta não é provinciana.
Porto Velho é a capital de Rondônia, centro administrativo do Estado, principal porta logística pelo rio Madeira e sede dos principais serviços públicos estaduais. Sua capacidade econômica, urbana e logística influencia o desenvolvimento de todo o território rondoniense.
E existe também um dado eleitoral que não pode ser ignorado.
Porto Velho possui 368.124 eleitores, correspondentes a 29,05% de todo o eleitorado de Rondônia. É, de muito longe, o maior colégio eleitoral estadual. Ji-Paraná, segunda colocada, possui pouco mais de 98 mil eleitores.
Portanto, a capital não precisa esperar a eleição terminar para depois bater à porta dos senadores.
Pode cobrar antes de votar.
É esta a filosofia desta série do Porto Velho Meu Dengo.

Não somos neutros em relação a Porto Velho
É importante estabelecer desde agora nossa posição editorial.
O Porto Velho Meu Dengo será imparcial na análise dos candidatos.
Reconheceremos seus acertos.
Apontaremos suas fragilidades.
Confrontaremos promessas com realizações anteriores.
Ofereceremos espaço para resposta.
Não trabalharemos para candidato A, B ou C.
Mas há algo em relação ao qual este site não pretende ser neutro: Porto Velho.

O próprio nome Porto Velho Meu Dengo já anuncia nosso compromisso.

Nossa parcialidade é a cidade.
Queremos que o eleitor perceba a força que possui e pergunte a cada candidato:
O que Porto Velho receberá desses oito anos de mandato?
E existe agora um documento capaz de tornar essa cobrança muito mais qualificada.

Porto Velho já planejou seu futuro até 2050

A cidade possui o Plano de Ação Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável do Município de Porto Velho — PAEDS-PVH 2030–2050.
Não estamos mais falando apenas de uma lista improvisada de reivindicações.
O PAEDS foi estruturado para estabelecer uma visão de futuro, orientar investimentos e posicionar economicamente Porto Velho no cenário estadual, nacional e internacional. O plano busca desenvolvimento econômico inclusivo, sustentabilidade, inovação, melhoria da qualidade de vida e capacidade de acompanhar as transformações tecnológicas e do mundo do trabalho.

O planejamento chegou à etapa final e será apresentado publicamente no Fórum de Desenvolvimento e Sustentabilidade de Porto Velho, em 29 de agosto. O horizonte estabelecido é 2050.

Entre os projetos estratégicos estão o Plano Diretor de Integração Logística e Industrial, Administração Distrital, Desenvolvimento Agropecuário Sustentável e Diversificado, Programa Caminhos D’Água e Porto Digital Amazônico.
Portanto, daqui para frente, todo candidato ao Senado deveria conhecer esse documento.
Não queremos perguntar apenas:
O que pretende fazer por Porto Velho?
Queremos avançar:
Conhece o PAEDS? Qual projeto pretende apoiar? Como pretende utilizar o Orçamento da União, os ministérios, bancos públicos e sua capacidade de articulação para ajudar Porto Velho a executar o planejamento que já construiu?
Essa será nossa régua.
E é à luz dela que começamos a observar os principais nomes.

Sílvia Cristina: votos próprios e uma marca reconhecível

Sílvia Cristina possui aquilo que todo candidato deseja antes de disputar uma eleição majoritária: votos próprios e uma identidade parlamentar
Foi eleita deputada federal em 2018 pelo PDT e reeleita em 2022 pelo PL. Atualmente está no PP. Sua atuação na Câmara construiu forte ligação com a saúde, especialmente prevenção e combate ao câncer. A Câmara registra dois mandatos consecutivos e sua atuação destacada na Comissão de Saúde e em estruturas de prevenção e combate ao câncer.
Também possui capacidade comprovada de alocação de recursos. Somente em 2024, registros da Câmara mostram aproximadamente R$ 37,9 milhões efetivamente pagos em emendas de sua autoria para Rondônia, envolvendo saúde, assistência social e transferências especiais.
O ponto de cobrança: sua força histórica encontra-se principalmente no interior. Para o eleitor da capital, a pergunta deverá ser: qual é o legado concreto de Sílvia Cristina em Porto Velho?
Também terá de explicar com clareza a trajetória PDT → PL → PP e demonstrar que possui uma visão de Senado que ultrapasse sua reconhecida especialização na saúde.

Mariana Carvalho: forte presença na Capital

Mariana possui talvez a trajetória mais diretamente ligada a Porto Velho
Foi vereadora da capital e exerceu dois mandatos como deputada federal, de 2015 a 2023. Participou de importantes comissões e chegou à Mesa Diretora da Câmara.
Durante a pandemia, relatou a medida que permitiu destinar recursos para a aquisição e produção das primeiras 100 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, uma participação de dimensão nacional. Já demonstrou grande capacidade eleitoral em Porto Velho e possui investimentos de seu período parlamentar associados à capital.
O ponto de cobrança: Mariana possui longa experiência política, portanto não pode apresentar apenas promessas. Precisará mostrar quanto destinou, quanto foi pago e o que efetivamente ficou pronto.  Deve responder por que, depois de oito anos na Câmara, dois pleitos majoritários e ampla experiência política, o eleitor deve conceder-lhe agora um mandato de oito anos no Senado.

Acir: ninguém conhece melhor o Senado

Acir possui algo que os demais não têm: já exerceu o cargo.
Iniciou seu primeiro mandato no Senado em 2009 e, em 2014, conquistou diretamente nas urnas 312.614 votos, ou 41,98%, garantindo novo mandato. Sua atuação teve forte ligação com agricultura, infraestrutura e Orçamento da União.
Acir também ocupou posições importantes na discussão orçamentária nacional.
Experiência conta.
Conhecer os corredores do Congresso, os ministérios e o funcionamento da União pode ser uma vantagem importante para um Estado distante dos grandes centros decisórios.
O ponto de cobrança: justamente porque já esteve lá, Acir precisa ser mais cobrado, não menos. Não basta dizer que conhece Brasília. Precisará demonstrar o que sua longa passagem pelo Senado deixou concretamente para Rondônia e para Porto Velho.
Sua trajetória jurídica também precisa ser apresentada com transparência. O candidato terá direito de explicar todo o histórico, o cumprimento da pena e os desdobramentos judiciais. 
A pergunta política permanece: Rondônia já lhe entregou o Senado. Por que deveria entregá-lo novamente?

Fernando Máximo: a força política que nasceu em Porto Velho
Médico e ex-secretário estadual de Saúde, transformou a enorme exposição adquirida durante a pandemia em capital eleitoral. Em 2022, foi eleito deputado federal e hoje exerce seu primeiro mandato. Deixou o União Brasil e está filiado ao PL.
Sua maior vantagem para nossa análise é evidente:
Fernando já demonstrou força eleitoral justamente em Porto Velho.
Sua passagem pela Secretaria de Saúde também lhe deu experiência administrativa numa das áreas mais difíceis da gestão pública.
O ponto de cobrança: essa mesma experiência é seu maior teste. Quem apresenta a gestão da pandemia como credencial precisa aceitar a prestação de contas dos contratos realizados naquele período. Houve procedimentos de controle e questionamentos sobre contratações da Sesau. No caso do Hospital Samar, por exemplo, houve decisão inicial do TCE com responsabilização dos gestores; o caso teve desdobramentos e recursos posteriores. Máximo, por sua vez, afirmou publicamente que não foi indiciado na investigação relacionada à compra dos testes rápidos.
Não cabe ao site transformar fiscalização em condenação. Cabe cobrar: quanto foi gasto, o que foi questionado, quais processos terminaram e qual foi a decisão definitiva em cada um.
E existe ainda outra pergunta: Fernando é reconhecido pela saúde, mas qual é sua visão para logística, economia, saneamento, desenvolvimento urbano e PAEDS?

Luís Fernando Pereira da Silva chega por caminho completamente diferente.
Não possui votação anterior. Possui currículo administrativo. É auditor fiscal de carreira e permaneceu por cerca de sete anos no comando da Secretaria de Finanças de Rondônia. Sua candidatura ao Senado pelo PSD nasceu de convite do governador Marcos Rocha, fato reconhecido publicamente pelo próprio candidato e pelo grupo político.
Sua experiência em finanças públicas, reforma tributária, equilíbrio fiscal e administração das receitas estaduais pode combinar bem com importantes competências do Senado.
O ponto de cobrança: Luís Fernando nunca enfrentou as urnas. Seu patrimônio, até aqui, é técnico e governamental, não eleitoral. Também terá de responder pelos aspectos impopulares da gestão financeira que ajudou a conduzir, entre eles as decisões tributárias do governo, além de explicar quanto da boa situação fiscal propagada pela administração Marcos Rocha foi efetivamente convertida em melhor infraestrutura e melhores serviços.
E aqui Porto Velho possui uma pergunta especial: depois de sete anos administrando as finanças do Estado a partir da capital, o que essa prosperidade fiscal deixou concretamente para Porto Velho?
Ser candidato do governador pode abrir portas.
Mas também significa receber a cobrança sobre o legado do governo.
Não existem candidatos perfeitos. Esse talvez seja o primeiro ensinamento.
Cada nome possui virtudes.
Cada nome possui vulnerabilidades.

Sílvia Cristina possui mandato, crescimento eleitoral e identidade na saúde, mas precisa demonstrar maior conexão com Porto Velho e explicar suas mudanças partidárias.
Mariana Carvalho possui enorme experiência e força na capital, mas exatamente por isso precisa apresentar uma prestação de contas robusta de oito anos de Congresso e de sua trajetória política.
Acir Gurgacz possui experiência incomparável no Senado e no Orçamento, mas carrega um passado jurídico que não pode ser omitido e precisa demonstrar por que merece retornar.
Fernando Máximo possui votos na capital e experiência administrativa na saúde, mas a pandemia exige uma prestação de contas minuciosa e sua visão nacional ainda precisa ser conhecida.
Luís Fernando possui formação técnica e experiência fiscal, mas não possui histórico eleitoral e terá de provar que é mais que o candidato indicado pelo governador.
Nenhuma dessas observações representa pedido de voto contra ou a favor de qualquer deles.
Representam aquilo que esperamos do jornalismo: perguntar.

O nosso candidato é Porto Velho
Talvez esta seja a melhor forma de explicar a posição deste site.
Não temos um candidato a senador.
Temos uma cidade.
Nosso candidato é Porto Velho.
Queremos saber quais dos postulantes compreenderão que uma capital desorganizada, sem saneamento adequado, sem infraestrutura logística suficiente, sem planejamento executado e sem capacidade de atrair investimentos compromete o desenvolvimento de Rondônia inteira.

Porto Velho já fez sua parte ao começar a construir uma visão de futuro até 2050.
Tem planejamento.
Tem projetos estratégicos.
Tem demandas históricas.
E possui quase 30% do eleitorado de Rondônia.
Agora precisamos transformar peso demográfico em consciência política.
Os candidatos que desejam nossos votos devem estudar Porto Velho antes de pedir Porto Velho.
Precisam conhecer o PAEDS.
Precisam dizer quais projetos apoiarão.
Precisam explicar de onde virão os recursos.
Precisam assumir compromissos que possam ser cobrados depois da eleição.
Senadores continuarão sendo representantes de todo o Estado e deverão pensar no Brasil.
Mas não aceitaremos que Porto Velho seja lembrada apenas como grande reservatório de votos e esquecida depois que as urnas forem fechadas.
Esta série terá continuidade.
Os candidatos serão convidados a responder.
Outros nomes relevantes na disputa também terão suas trajetórias analisadas.

Ao final, não pretendemos dizer ao eleitor: “Vote neste.”
Pretendemos oferecer elementos para que cada porto-velhense possa perguntar:
Qual destes candidatos compreendeu melhor a cidade em que vivo e está realmente preparado para ajudá-la a chegar a 2050?
Porque fortalecer Porto Velho não significa diminuir Rondônia.
Significa fortalecer o principal motor urbano, administrativo e logístico do Estado para que seu desenvolvimento possa irradiar para todos os 52 municípios.
É essa a nossa parcialidade.

Porto Velho Meu Dengo — Eleições 2026
Imparcial com os candidatos. Parcial por Porto Velho.

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