Por: Lincon Fannuel Azuim Bergamo de Lima – Mestre Maçom, CIM 325.685, Loja Maçônica União e Perseverança

A liberdade é, sem dúvida, um dos maiores bens da humanidade. Ela é a capacidade de agir, pensar e expressar-se sem coerções indevidas, constituindo o fundamento de qualquer sociedade justa. No entanto, mais do que um conceito abstrato, a liberdade é uma conquista histórica, constantemente ameaçada, e que precisa ser defendida com firmeza e coragem.
A Maçonaria, desde sua origem especulativa, nasceu em um contexto de absolutismo, quando questionar o poder estabelecido significava arriscar a própria vida. Foi dentro das Lojas que pensadores, filósofos e intelectuais encontraram refúgio para debater ideias e semear os ideais que mais tarde dariam forma à democracia moderna. Por isso, a defesa da liberdade – sobretudo a liberdade de pensamento – está no cerne da nossa Ordem.
Sem liberdade de pensamento, nenhuma outra liberdade é possível. Como poderemos falar, agir, cultuar ou caminhar livremente se não nos for permitido pensar? A história já demonstrou que a censura é sempre o primeiro passo para o autoritarismo. A cada vez que uma voz é silenciada, todos nós perdemos um pouco da nossa própria liberdade.
É verdade que a Maçonaria, ao longo do tempo, enfrentou e resistiu a regimes totalitários, inclusive no Brasil durante o regime militar. Mas a pergunta que se impõe é: e nós, maçons do século XXI, o que estamos fazendo para impedir que a história se repita? Estamos realmente vigilantes diante das tentativas, muitas vezes sutis, de restringir o direito de pensar e expressar-se?
Em diversos países, como Cuba e Rússia, a Maçonaria foi reduzida a um mero clube, sem força para agir ou para defender valores. Corremos o risco de perder o adjetivo “Livres” que sempre nos caracterizou. E o mais alarmante: alguns de nossos próprios irmãos parecem aceitar, e até estimular, práticas de censura. Isso é incompatível com nossa essência.
É preciso lembrar: a missão da Maçonaria sempre foi combater a tirania, o despotismo e os preconceitos. Nossa obrigação, enquanto Homens Livres e de Bons Costumes, é defender a dignidade humana e os direitos fundamentais. Não podemos nos omitir diante da erosão gradual das liberdades.
Mais do que nunca, precisamos unir forças, reafirmar nossa identidade e agir. A liberdade não é uma dádiva eterna, mas uma conquista diária. Se não a defendermos, corremos o risco de vê-la ser arrancada de nossas mãos. E quando isso acontecer, já será tarde demais.
Aos meus irmãos, deixo este chamado: sejamos vigilantes, corajosos e fiéis à essência da nossa Ordem. A liberdade que herdamos dos que vieram antes de nós só será preservada se estivermos dispostos a defendê-la hoje, com a mesma determinação

