Sanley Souza é um desses obreiros.
Desde a iniciação na ARGBLS Triunfo do Candeias, em 2004, meu irmão Sanley é minha coluna firme na Maçonaria. Ele não é apenas meu irmão-gêmeo — é irmão de alma, de jornada e de silêncio. Esteve ao meu lado em todos os momentos: na alegria, na luta, na mudez das preocupações e no clamor das decisões difíceis.
Padrinho de meu primogênito, Vinícius Rian, 26, assumiu com responsabilidade e ternura esse papel. Quando minha segunda filha, Letícia Sophia, 23, nasceu e minha esposa recebeu alta da maternidade, e eu, como Professor em sala de aula, estava a cumprir meu dever, foi ele quem as buscou. Nessa atitude singela mora a grandeza do verdadeiro Aprendiz: aquele que age sem alarde, mas deixa marcas eternas.
Sanley também enfrentou seus próprios desertos. Sua filha Leila Beatriz nasceu com uma condição delicada, exigindo cuidado contínuo e fé inabalável. Sanley não recuou. Lutou com coragem, resignação e amor. Hoje, sua filha está plenamente recuperada.
Tive a ventura e o privilégio de, em Loja, diante dos Irmãos, ler estas palavras em sua homenagem. Vi as lágrimas rolarem em seus olhos e senti que ele recebeu em sua alma a sinceridade da minha gratidão e do meu amor fraterno. Hoje, em um momento tão doloroso, retorno a este tributo, pois não posso deixar que o silêncio roube de mim a oportunidade de reafirmar o que já lhe disse: meu Irmão, tenho orgulho de ti, tenho admiração por tua vida, e terei eternamente tua memória como coluna que sustenta meu próprio existir.
Chamavámo-nos de “Caboco”, com a simplicidade de quem sabe que o afeto é maior que os títulos. Essa palavra, que hoje ecoa em mim sem resposta, permanecerá como sinal de nossa irmandade verdadeira.
Sanley é presença em minhas alegrias e dores, e partilhou das suas comigo. Quando precisei seguir a trilha do jogo de Xadrez, foi ele quem dirigiu horas e horas, sem nada pedir em troca, para que eu me tornasse Mestre Nacional. Quando a vida lhe impôs a cruz, ele a carregou com fé e coragem, sem nunca desanimar. Em cada passo, em cada renúncia, em cada sacrifício, ele mostrou a essência do verdadeiro Aprendiz: agir sem vanglória, mas com amor, coragem e resignação.
Se o Grande Arquiteto do Universo decidiu chamá-lo ao Oriente Eterno, sei que não será apagado o vínculo que nos une. Pois, como pregava Vieira em seus sermões, “a morte não é ausência, mas mudança de lugar”. A eternidade não rompe os laços, apenas os transforma em espiritualidade pura.
E assim proclamo:
Sei que Sanley Souza vive para sempre — em suas filhas, Leila e Gyovana Beatriz e em seu filho, Sanley Junior; em cada gesto de bondade, em cada recordação que guardo em minha alma. Não deixarei de pronunciar seu nome, de invocar sua memória e de me inspirar em seu exemplo.
A Loja é feita de colunas, mas são os verdadeiros Irmãos que se tornam o cimento invisível da eternidade maçônica.
Por isso, e por tudo o que já lhe disse, afirmo com emoção e reverência:
Meu irmão Sanley Souza é — e será sempre — um exemplo de Aprendiz e de Homem.
Que o Grande Arquiteto do Universo, em sua sabedoria, o acolha em luz e propósito, e que a nós seja dada a consolação da fé e da esperança.

