A regulamentação do jornalismo no Brasil deixou de ser apenas um debate teórico. Tornou-se uma necessidade concreta diante do avanço da desinformação e da fragilização da credibilidade da imprensa.
Vivemos em um cenário onde a informação circula com velocidade e impacto imediato. Nesse contexto, o papel do jornalista se torna ainda mais estratégico — e a responsabilidade sobre o que se publica, ainda maior.
Palavras mal ditas fazem a guerra. Palavras bem ditas constroem a paz.
Mesmo assim, o país ainda não possui um sistema estruturado de responsabilização profissional no jornalismo. Diferentemente de outras áreas, não há um conselho com atribuição legal para fiscalizar condutas, estabelecer parâmetros éticos obrigatórios e valorizar o exercício qualificado da profissão.
A ausência de regulamentação do jornalismo cria um ambiente de concorrência desigual. Profissionais comprometidos com a verdade, a apuração rigorosa e a imparcialidade disputam espaço com conteúdos produzidos sem critérios técnicos ou responsabilidade social.
O resultado é um mercado desorganizado, onde a qualidade nem sempre é reconhecida — e, muitas vezes, é penalizada.
A criação do Conselho Federal de Jornalismo surge, nesse contexto, como uma alternativa institucional capaz de fortalecer a ética no jornalismo, estabelecer referências profissionais e proteger tanto a sociedade quanto os bons jornalistas.
Não se trata de limitar a liberdade de expressão, mas de garantir que ela seja exercida com responsabilidade.
Após mais de duas décadas desde as primeiras discussões no Congresso Nacional, manter o jornalismo sem regulamentação já não é prudência — é atraso.
O jornalismo precisa de liberdade. Mas precisa, sobretudo, de regras claras que assegurem sua credibilidade e sua função democrática.

