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Margem Esquerda do Rio Madeira: debate urbano dialoga diretamente com os ODS e exige governança participativa

Prefeitura de Porto Velho se debruça sobre tema que envolve desenvolvimento sustentável, regularização territorial, inclusão social e planejamento urbano

by Jefferson Ryan

A discussão sobre a ocupação da margem esquerda do Rio Madeira não deve sair do centro do debate público em Porto Velho, sobretudo porque dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e com os eixos temáticos da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

O tema envolve simultaneamente urbanização, meio ambiente, habitação, mobilidade, infraestrutura, governança participativa e justiça social. Por isso, deixou de ser apenas uma discussão fundiária ou jurídica para se transformar em um dos principais desafios estruturais da capital rondoniense.

Nesse cenário, a Prefeitura de Porto Velho vem se debruçando sobre a questão por meio do Departamento de Implantação do Plano Diretor (DIPLAD) com instrumentos institucionais de participação popular, especialmente o Plano Plurianual Participativo (PPA Participativo) e o Plano Diretor Participativo, mecanismos que permitem a inclusão das demandas da sociedade na formulação das políticas públicas urbanas.

A recomendação expedida pelo Ministério Público de Rondônia, ao apontar preocupação com a ocupação desordenada da margem esquerda e a necessidade de estudos técnicos e planejamento urbano, utiliza corretamente o senso jurídico previsto no Estatuto da Cidade e na legislação urbanística brasileira. O documento ressalta a importância da gestão democrática da cidade, da proteção ambiental e da necessidade de planejamento sustentável.

Entretanto, o debate também exige bom senso administrativo e visão estratégica da realidade urbana atualmente consolidada.

Isso porque a ocupação da margem esquerda já existe concretamente e continua avançando em alguns pontos, muitas vezes sem infraestrutura adequada e ao arrepio da própria legislação urbanística. Ignorar essa realidade não resolve o problema urbano. Ao contrário: pode aprofundar insegurança fundiária, ocupações clandestinas e degradação ambiental.

A solução, portanto, não parece residir apenas na proibição abstrata ou na judicialização permanente da questão, mas na construção de uma política pública pactuada, técnica e socialmente sustentável.

É nesse ponto que a governança participativa ganha centralidade.

Os ODS defendem exatamente cidades inclusivas, resilientes e sustentáveis. O debate sobre a margem esquerda dialoga diretamente com:

  • ODS 9 — infraestrutura resiliente e desenvolvimento sustentável;
  • ODS 11 — cidades e comunidades sustentáveis;
  • ODS 16 — instituições eficazes, participação social e governança democrática.

Durante a Conferência Estadual dos ODS, destacamos que Porto Velho precisa enfrentar seus problemas urbanos estruturais sem esconder a realidade social existente. A margem esquerda tornou-se símbolo desse desafio contemporâneo: como conciliar proteção ambiental, segurança jurídica, direito à moradia e planejamento urbano sustentável.

Dentro dessa lógica, especialistas defendem que o município avance para mecanismos de regularização territorial participativa, com:

  • audiências públicas permanentes;
  • cadastramento socioeconômico e ambiental;
  • definição técnica de áreas consolidáveis e não consolidáveis;
  • urbanização gradual sustentável;
  • controle ambiental;
  • diálogo institucional com os ocupantes;
  • integração das medidas ao Plano Diretor e ao PPA.

O grande desafio de Porto Velho talvez não seja apenas impedir ocupações irregulares, mas construir uma solução inteligente para uma realidade urbana já instalada. E isso exige equilíbrio entre legalidade, planejamento técnico e sensibilidade social.

O Ministério Público cumpre papel essencial ao alertar para os riscos da expansão desordenada. O Município, por sua vez, possui a missão de transformar o debate em política pública viável, democrática e sustentável.

Afinal, discutir a margem esquerda do Rio Madeira é discutir o próprio modelo de cidade que Porto Velho deseja construir para as próximas décadas.

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