Home DESTAQUEMestre é Mestre: Robson Amorim conquista o Porto Velho Chess Club Tournament com força mental e serenidade

Mestre é Mestre: Robson Amorim conquista o Porto Velho Chess Club Tournament com força mental e serenidade

No xadrez, muitas vezes chamado de “esporte dos reis”, vencer não depende apenas de cálculo preciso e conhecimento teórico. Exige também algo menos visível no tabuleiro, mas decisivo para quem pretende chegar ao topo: inteligência emocional.

by Jefferson Ryan

MN Robson Amorim no hall de entrada da EEEFM Murilo Braga

O Mestre Nacional Robson Bezerra Amorim Filho confirmou sua força no tabuleiro e conquistou o título do Porto Velho Chess Club Tournament, realizado na sala de xadrez da Escola Murilo Braga em Porto Velho. Mesmo tendo sofrido uma derrota logo na primeira partida, o enxadrista demonstrou controle emocional e grande capacidade de recuperação para terminar isolado na liderança com 7 pontos.
A trajetória do campeão começou de forma inesperada: uma derrota na primeira rodada. Para muitos jogadores, um tropeço inicial pode comprometer toda a competição. No entanto, Robson Amorim reagiu da maneira que distingue os mestres.
Manteve-se tranquilo, sereno e focado ao longo de todo o torneio. Partida após partida, foi reconstruindo sua campanha até alcançar a liderança.
O desempenho valoriza ainda mais a competição, pois demonstra que o campeão não venceu apenas no tabuleiro — venceu também o desafio interno de administrar pressão, frustração e expectativa.
Inteligência emocional no tabuleiro
A postura de Robson Amorim ilustra, na prática, conceitos discutidos por estudiosos da mente humana, como o psicólogo Howard Gardner, conhecido por sua teoria das inteligências múltiplas. Entre elas estão dimensões relacionadas ao autoconhecimento, controle emocional e capacidade de lidar com situações adversas.
No xadrez competitivo, essas habilidades são decisivas. Cada partida é um campo psicológico intenso, em que a mente precisa permanecer clara mesmo sob pressão.
Durante todo o torneio, Robson demonstrou exatamente esse equilíbrio.
Nenhuma vitória foi fácil.
Segundo a arbitragem da competição, não houve partidas simples para o campeão.
Como árbitro do evento, é possível afirmar que Robson Amorim precisou construir cada vitória lance a lance. Em todos os confrontos enfrentou adversários preparados e determinados.
Cada ponto exigiu estratégia, paciência e resistência mental.
Talvez tenha faltado justamente isso a alguns de seus adversários: a serenidade diante das adversidades.
No xadrez, cada confronto é muito mais do que uma sequência de lances.
É um universo de emoções: expectativa, tensão, dúvida, esperança e concentração absoluta. A luta mais difícil não é contra o adversário sentado à frente, mas contra si mesmo.
Controlar o nervosismo, evitar decisões precipitadas e manter a lucidez após um erro são desafios permanentes.
Foi nesse terreno invisível que Robson Amorim reconstruiu seu caminho.

Jânio Silva: retorno em grande estilo 

Um dos destaques da competição foi Janio Silva dos Santos, que aos 60 anos, terminou na segunda colocação.

Jogador de estilo intuitivo e tático, Janio protagonizou partidas emocionantes ao longo do torneio.

Contra Calebe Emanuel da Silva Miranda, por exemplo, surgiu uma posição crítica em que o jovem enxadrista identificou o lance correto — Rei para f1 — mas optou por rocar, permitindo a perda do peão da torre da dama. A decisão abriu espaço para que Janio encontrasse recursos táticos e realizasse sacrifícios para forçar o empate por repetição de lances.

Já no confronto contra João Edson Costa Maciel Junior, Jânio novamente seguiu fiel ao seu estilo combativo: sacrificou material para entrar em um final superior. No entanto, a sequência mais precisa não foi encontrada e a partida terminou empatada por insuficiência de material para mate.

Jovens talentos rumo ao IRT Sanley Souza

Adalzisa Hellmann Cardoso e Calebe Emanuel

Jooão Edson recebe a medalha

Os desempenhos de Calebe Emanuel e João Edson também chamaram atenção durante o torneio. Ambos demonstraram qualidade técnica e espírito combativo, consolidando-se como novos talentos do xadrez local.  

Os dois jogadores agora carimbaram o passaporte para participar do IRT Sanley Souza, competição prevista para ser aberta no dia do nascimento do homenageado, ex-presidente do Clube de Xadrez Rondônia, que faleceu precocemente no ano passado.  

Participação feminina fortalece o torneio

Outro ponto alto do evento foi a presença feminina. A diretora da competição, Adalzisa Hellmann, trabalhou ativamente para garantir a participação das jogadoras.

Sofia Queiroz e Edglei

Duas enxadristas se destacaram: Sofia Queiroz da Silva, vice-campeã do Gambito da Dama, e Akriscia Martins Sluzarski, terceira colocada na mesma competição.

Embora ainda em processo de formação competitiva no absoluto, ambas apresentaram boas atuações em diversas partidas. A expectativa da organização é que, com mais torneios e experiência competitiva, elas passem a acumular vitórias também no absoluto.

Akriscia e Robson Farias

Janio Silva e Giovanni Spirotto

Inclusão religiosa e espírito laico do clube

O calendário do torneio foi planejado de forma a permitir a participação de Giovanni Spirotto Stein, jogador adventista, que por convicção religiosa não pode disputar partidas entre o pôr do sol de sexta-feira e o pôr do sol de sábado.

A adaptação reforça o caráter laico e inclusivo da direção do clube, que busca garantir espaço para todos os jogadores independentemente de suas crenças.

Robson Farias, Janio, Magna dos Anjos, Adalzisa Cardoso e Akriscia Sluzarski

Presença institucional da vice-prefeita

Na véspera do encerramento do torneio, o evento contou ainda com a presença da vice-prefeita de Porto Velho, Magna dos Anjos.

Mesmo com agenda apertada, ela fez questão de comparecer ao local da competição para cumprimentar os enxadristas e prestigiar o evento, reforçando o reconhecimento institucional do xadrez como atividade cultural e esportiva relevante para a cidade.

Um torneio de técnica, emoção e respeito

O Porto Velho Chess Club Tournament terminou deixando uma marca clara: o xadrez é muito mais do que cálculo e estratégia.

Cada partida é um universo de emoções, onde a luta mais difícil acontece dentro da própria mente do jogador.

A mente como água

Ao final da competição, a atuação do campeão lembra uma famosa filosofia das artes marciais associada ao lendário Bruce Lee: a ideia de que o verdadeiro domínio está na capacidade de adaptação e controle interior.
Bruce Lee dizia que a mente deve ser como a água — capaz de se moldar a qualquer recipiente, fluindo sem perder sua essência.
No tabuleiro do Porto Velho Chess Club, Robson Amorim demonstrou que a verdadeira força está na capacidade de manter a mente clara e adaptável diante de qualquer adversidade. Mesmo após a derrota inicial, manteve a calma, reorganizou sua estratégia e avançou com firmeza. E foi exatamente essa serenidade que conduziu o Mestre Nacional ao topo do pódio em Porto Velho.
Assim, mais do que um campeão de lances precisos, o torneio consagrou um campeão de mente forte.
E no xadrez, como na vida, quem vence a si mesmo já deu o primeiro passo para vencer qualquer adversário. 

 

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