Home DESTAQUEVozesDa origem no Lar do Bebê à voz das invisíveis: a trajetória de Emily Costa e sua luta pelas Guerreiras da Vila Princesa

Da origem no Lar do Bebê à voz das invisíveis: a trajetória de Emily Costa e sua luta pelas Guerreiras da Vila Princesa

Jornalista negra, adotada ainda bebê em Porto Velho, transforma a própria história em compromisso social e mobiliza o poder público para olhar com mais atenção para mulheres em situação de vulnerabilidade.

by Jefferson Ryan

Da pergunta sobre as próprias origens nasceu uma consciência social que hoje ecoa na cidade: a de que nenhuma história de abandono precisa terminar em silêncio.

Adotada ainda bebê no antigo Lar do Bebê, em Porto Velho, a jornalista Emily Costa construiu uma trajetória marcada por superação pessoal e compromisso social. Mulher negra, criada por uma mãe que sempre a incentivou a conhecer suas origens, ela transformou a própria história em um caminho de atuação pública e sensibilidade social — especialmente voltado às mulheres conhecidas como “Guerreiras da Vila Princesa”, grupo que enfrenta diariamente as dificuldades da vida em uma das áreas mais vulneráveis da capital.

A história de Emily Costa começa em um lugar que, para muitas crianças, representa uma encruzilhada entre a incerteza e a esperança: o Lar do Bebê de Porto Velho. Foi ali que sua vida teve início, marcada por uma ausência que poderia ter definido sua trajetória. Mas não definiu.

Criada por uma mãe adotiva que nunca escondeu sua história e que sempre a incentivou a buscar suas raízes, Emily cresceu com uma compreensão clara de que identidade não se constrói apenas pela origem biológica, mas também pelos valores que moldam o caráter.

Esse incentivo precoce à verdade e à autonomia ajudou a formar uma mulher consciente de seu papel no mundo.

“Conhecer a própria história é um passo importante para compreender a história dos outros”, costuma afirmar em rodas de conversa e debates públicos.

SER MULHER, NEGRA E JORNALISTA

A escolha pelo jornalismo ampliou esse olhar social.

Ao ingressar na profissão, Emily encontrou na palavra e na informação instrumentos capazes de iluminar realidades que muitas vezes permanecem invisíveis. Em uma sociedade marcada por desigualdades estruturais, ser mulher e negra na comunicação ainda significa enfrentar desafios adicionais — desde o preconceito até a sub-representação em espaços de destaque.

Mesmo assim, ela seguiu firme.

Seu trabalho passou a evidenciar temas ligados à cidadania, dignidade e justiça social, com especial atenção às mulheres que vivem nas margens da cidade formal.

AS GUERREIRAS DA VILA PRINCESA

Entre essas histórias estão as das chamadas Guerreiras da Vila Princesa.

Localizada em uma área conhecida por desafios sociais históricos, a comunidade abriga mulheres que sustentam famílias, enfrentam jornadas de trabalho exaustivas e convivem diariamente com a precariedade estrutural.

Para Emily, essas mulheres representam uma força muitas vezes ignorada pelo debate público.

“São mulheres que carregam o peso da cidade nas costas e, ainda assim, seguem firmes. São exemplos de resistência e dignidade”, afirma.

Foi justamente ao dar visibilidade a essas histórias que sua atuação passou a dialogar também com setores da administração municipal.

QUANDO A VOZ SOCIAL CHEGA AO PODER PÚBLICO

A repercussão das demandas das mulheres da Vila Princesa chegou a áreas estratégicas da gestão municipal, especialmente na estrutura da Secretaria de Economia.

Ali atuam duas gestoras que passaram a acompanhar com atenção as preocupações levantadas pela jornalista.

Na Secretaria Executiva de Planejamento, Larissa Ananda trabalha na organização de políticas e estratégias que orientam o desenvolvimento da cidade. Já na Secretaria Executiva de Orçamento, Letícia atua na gestão e na alocação dos recursos públicos.

O diálogo entre a realidade social apresentada por Emily e o planejamento institucional abre caminhos para que políticas públicas possam mitigar problemas históricos enfrentados por comunidades vulneráveis.

LIDERANÇA FEMININA SEM RENUNCIAR À FEMINILIDADE

A presença dessas mulheres na gestão pública também evidencia um aspecto cada vez mais discutido nas ciências sociais: novas formas de liderança feminina.

Diferentemente de modelos tradicionais de poder, marcados por rigidez e dureza simbólica — frequentemente associados a figuras políticas internacionais conhecidas como “damas de ferro” — a atuação dessas gestoras se caracteriza por uma abordagem que combina técnica, sensibilidade social e escuta ativa.

Nesse sentido, Emily Costa, Larissa Ananda e Letícia representam trajetórias distintas que se encontram em um mesmo ponto: o compromisso com uma cidade mais justa.

UMA HISTÓRIA QUE REPRESENTA MUITAS OUTRAS

A trajetória de Emily Costa não é apenas uma história individual.

Ela simboliza a experiência de muitas mulheres que, mesmo diante de dificuldades profundas — sejam elas sociais, raciais ou econômicas — constroem caminhos de dignidade e participação na vida pública.

Da criança que começou a vida em um abrigo à jornalista que hoje amplifica vozes invisibilizadas, sua história demonstra que as cidades também se transformam quando escutam suas mulheres.

E, como mostram as Guerreiras da Vila Princesa, quando essas vozes encontram espaço para ser ouvidas, a própria ideia de justiça social ganha novos contornos.

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